20100922

usar xícara de cumbuca, escada de estante, banco de mesa, bolsas de armário, sempre achei lindas as funções secundárias

20100916

pro sustentabilismo

alguéns sempre reclamando do descuido com as plantas. alguéns que devem favores ensolarados aos pássaros amorfos. ninguéns que somem, somem, somem, etc, etc. comem, comem, comem, etc, etc. e assim vão. e vêm. e vão. não bastassem essas repetições de alguéns irritantemente de longínquas línguas de areia e patas de água salgada. por usar conchas de encontro. por usar lontras como amigas diagonais. por usar peles de ursos ou pêlos de moscas. de homens-mosca. etc. repaginar a praia em aquário de acrílico. na politicagem dos peixes. na sustentabilagem. nessa ilógica, incoerente, inconstante, saliente, etc, etc, laia.

20100913

vp!A

20100910

carta a alguém mais desconhecido ainda

"Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo, escutei um perfume de sol nas águas." "Pouco" "me importa ser entendida", parece que eu vivo pra passarinho. "Eu queria avançar para o começo." "Existe uma vontade." "Como começo?" "Não quero dar um falso futuro a cada vislumbre de um instante. Tudo se passa exatamente na hora em que está sendo escrito ou lido." ASSAR OS INSTANTES. Percebi. "Só a alma atormentada pode trazer para a voz um" "formato de pássaro." "Na palavra está tudo. Quem me dera, porém, que eu não tivesse esse desejo errado de escrever. Sinto que sou impulsionada. Por quem?" Penso quase, não quase penso. "Todas as manhãs." Eu também sonho. "De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. Decerto tudo deve estar sendo o que é."

"Não gosto de palavra acostumada."
"Não tenho habilidade pra clarezas",

Anna


*recortes de clarice lispector e de manoel de barros
Se a pessoa sabe muito sobre signos ela deixa de saber sobre outra coisa qualquer, uma vez que ocupa uma de suas gavetas com essa informação. A não ser, é claro, que essa pessoa seja do signo de aquário, pois, sendo assim, a informação certamente não estaria armazenada na gaveta, mas perdida em algum canto aleatório da casa, seja da própria pessoa ou de algum amigo, colega, parente, conhecido, semi-conhecido, desconhecido, etc.
Henrique estava vivendo com sua memória mais apurada do que sua imaginação e não via a hora de voltar ao anormal.
– Coração, bata antes de entrar e depois também. Grata.

20100904

Fazer dormir as coisas que acordam no berreiro em dias que devem aos domingos suas referências.

Fazer dormir essas coisas que não se acalmam no sonho, que não se despedaçam nem se aconchegam, que não entram em acordo quando acordam mas que também não discordam, que não soluçam com velocidade nem se aquietam discretamente, que não aparecem nem somem, que não vivem nem morrem, que nem pólen, que não amolecem mitocôndrias nem restituem orquidários à luz de velas, que são elas, as coisas secretas, que são belas de raiva, abelhas com surdez, moduladas, imprecisas, preciosas, parecidas e pálidas mesmo coloridas, latejantes e avenidas.
Não estar com você é o mesmo que não estar.
É ser e só.
É só.

pra Tati Plens

Pelo menos a natação é um esporte em que se fica submerso por inteiro, não nos deixa ser pela metade e, assim, as coisas podem retomar sua dimensão na vida da gente e florescer nosso olhar sobre o mundo, hidratado e cansado, mas livre de meias-intensidades.

Algumas cenas não saem da minha cabeça.

Como a vez em que nadei quilômetros com afinco, mas, mesmo assim, me afoguei no mar de gente. Como a outra em que fechei bem forte os olhares a minha volta, pois não havia mais vista que me florescesse. Como ontem que meu maior desejo era que o sol morresse. Como a chuva de hoje à tarde. Como a minha janta bem resolvida. Como as pessoas mal resolvidas. Como a minha preguiça de me expor em qualquer sentido. Como as minhas opiniões ausentes por vontade própria. Como as pessoas sob o meu olhar úmido. Como danete de sobremesa. Como sagu de sobremesa. Como sobremesa em qualquer sentido. Como dormir na diagonal por ignorar a posição rotineira. Como as memórias de qualquer coisa que passaram de coisa qualquer para cenas que não saem da minha cabeça. Como o mundo aprisionado na minha cabeça. Como o mundo de preferência mudo.