20080624

hoje estou dupla

Estou dupla, as coisas estão. Não consigo mais ver, esse é meu problema na essência. Não vejo as coisas na minha frente me dizendo (mas ouço e soluço): não, não, nãodámais! nãodámais! nãodámais! nãodámais!(!!!!!!!!!)

Não estou sabendo para que lado olhar, e ver, e ver e só. Não queria ouvir, mas queria ver. Sentir porranenhuma também, sentir só deixa tudo mais pasto, mais vasto, mais gasto. Quero algo mais ácido, entende? Quero algo ácido e macio. Que seja díver, naquele sentido mais idiota e vivo que a palavra livre. Livre disso/de ti/de mim.

Eu não sei dizer uma só palavra explicável disso que ouço. E ouço o tempo quase inteiro, mas despedaçado, como se o tempo não conseguisse se manter, não tivesse coisa a recorrer pra ficar. E aí que SEI: a coisa! Essa é a que falta. A coisa que segura o tempo junto a todo tempo. Que não o deixe. Que o ame.
Mialimentaram
Miacariciaram
Mialiciaram
Miacostumaram

saltimbancos

20080617

muda amor: de cor

20080610

hoje pensei no amor como se fosse meu cabelo:

pensei que do amor tem que estar sempre cuidando, sempre alisando e paparicando. qualquer coisa do dia-a-dia que incomode meu cabelo - como muito sol, vento ou coisa outra assim - precisa ser compensada com um bom banho de creme, ou uma escovada super apaixonada, para então ele voltar ao normal. ao normal por um dia ou dois, no máximo. passando disso ele já começa a ficar oleoso, grudento, ou o contrário, seco e quebradiço. que nem o amor. que se passa muito tempo sem ter atenção, pode tanto ficar grudento - como um chiclete (ou um pensamento) no cabelo que não quer mais sair, ou pode ficar quebradiço, e quebrar-se em partes/machucar-se. acabar, meu cabelo não acaba não. nem o meu amor. mas, de repente, chega uma hora que ele está tão fraco e cai, ou pede para ser raspado a qualquer custo. nunca tive meu cabelo raspado ou caído. (nem meu amor). tento cuidar dos dois, às vezes com alguns errinhos, mas nada que um s.o.s. (mãe da naiara ou naiara) não resolva.

20080601

eu não existo
insisto


(acabo e existo - paro e insisto)

(a coisa existe escondida em mim, eu escondo a coisa pra insistir nas outras coisas, que juntas não se dão, mas se forçam a acabarem ou a conviverem)