20071129

7.1 Movimentos leves
7.2 Comunicar-se em silêncio
7.3 Gentilezas

20071125

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És pra mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


Fernando Pessoa

esta tristeza pouca não chega à infelicidade

A minha tristeza me força pensamentos incertos, eu fico ainda mais insegura de olhar pela janela e quem sabe ver o que espero tanto, mas infeliz em esperar. Que não demore, que venha logo isso que já sei: como qualquer coisa que já foi e segue de novo, sempre de novo. Feliz de quem é triste e sabe que as coisas sempre pioram e assim, não se entregam a qualquer infelicidade, porque infelicidade tem que também valer no mínimo alguma sabedoria para encarar a próxima infelicidade, e que esta, seja pior, para então valer também. Não me entrego a infelicidade qualquer, tem que valer cada ânsia. E sempre mais.

20071123

descontextualizar; fechar aspas nunca abertas; PASSAR; ouvir o som do metrônomo em diferentes freqüências; chorar a seco; pesar; forçar a cabeça para frente e ficar tonta; lacrimejar o tempo necessário para avermelhar o rosto; bater com a ponta do caderno-capa-dura na perna; molhar as mãos

20071122

DO
LUGAR
ONDE
ESTOU

FUI
EMBORA.

Manoel de Barros

20071121

O ar parece espuma de tão aconchegante. Já são nuvens e horas de se deixar abraçar por todos os lados: sem olhar pra vida, pro espelho e pra baixo - sem pensar. Deixar-se.

20071112

Alicia dort

Un bouquet de violettes
Des serpents à sonnettes
Dansent dans sa tête
Mon doux venin
Une odeur de jasmin
Sur les joues pâles
D'une fille végétale
Quand Alicia compose
Un bouquet des roses
Le monde est suspendu
Mais dans les bras de lierre d'Alicia
On ne se réveille pas

Emilie Simon

20071111

Vou dormir em Indaial hoje.

Quando o mar me vem a cabeça, logo penso nele sobre mim.

Ele me afoga, mas dali em diante eu já ter passado por ele faz-me saber passar melhor. Eu sei lidar com o mar, assim como sei onde ele vai dar depois que passar sobre mim: não vai a lugar algum, vai ficar assim: em redundâncias. Então, eu vomito o mar - e junto dele toda a amargura da minha vida.

Não sei as pessoas e não sei eu.