20120731

quem insiste e vive e vive?

quem nunca pensou em tomar veneno em se jogar da ponte em se jogar no mar? quem nunca por descaso de vida atravessou a avenida mais movimentada sem olhar pros lados pra cima pros sentidos figurados? quem já se fez de trouxa ao escorregar nos olhares alheios nos travessões violados? por caso por mais por falhos plurais quem já se quis em pedaços em lascas em cascas em doença de chagas? quem não quis nada quem eu quem fui quem nem pensei nada disso? quem qualquer coisa que falte que abale que grite que cale? quem se faz cócegas cafuné chaminé chá de erva ou conferva?

20120729

A vida é insuportável para quem não tem sempre à mão um entusiasmo.

Marice Barrès
simples é ser sozinho

escárnio

nessas meias-palavras, mortas, tortas, sonâmbulas, 
uivo na ignorância, 
neutralizo. 
entreolho, entrego, trago. 
rogo bem-me-queres 
recíprocos. 
corro. 
transpareço em vão. 
transpodreço. 
tropeço. infesto. 
esgo.

(memórias)

Esses amores que morrem
enterras em mares
entre mim e o mundo
entre nós e desatas
a vida entristece
nas visíveis luas
nas meias fadas
nas rezas fracas
nos sustos súbitos
de clareza-desmaio
de rimas frágeis
de laços frouxos
de moços
de moças
de poças
de poções mágicas
trágicas
fascinantes.

as coisas se repet-lem,

em outros corpos, 
em outros mortos, 
a todo momento.

mamam

manha em montanha,
manhã fanha,
amam minha mão 
minha fronha.

em crise

me crivo em ti, 
te encravo um cravo, 
te crio em cruz, 
te cruzo em jus, 
te fugo em luz, 
te imundo, 
te mordo, 
te mato,
te engato
em mim.

quando eu morrer eu quero virar água

algumas coisas têm sonhos nublados no passado
alguns sonhos são de coisas nubladas sem passado
alguns passados foram só de sonhos e coisas nubladas
alguns sonhos são encantados como passados não-nublados
outros encantos nascem de coisas que ainda não nasceram no passado

[agosto de 2008]

Os incomodados que se atirem.

Incomodem os retirados.
Mirem os mal-humorados.
Rimem os mau-olhados.

Me não. Me.

Não me incomodam mais os esfomeados, nem as chuvas de terras ou as mentiras amadas; nem me conquistam mais os queridos falados nem as meninas trombetas, muito menos os ensopados bocejos ou os bonitos carcomidos: me guardam lisas batatas, faceiros risotos e plantas bailantes; me choram os carnavais, os chacais e as cintilantes; me pairam céus, nuvens e peles secas; me gritam; me irritam; me chocam. Me vivo de mármore, de pouco-em-pouco me morro. Me assombram os mitos, os cílios e os cavalos. Me sobram. Me comem. Me mandam. Não me despeço de bobagem; não me conheço; não me paisagem. Me lindam, me minguam. Saiam todos, me deixem sair; só.
O palhaço atirou-se num poço de marmelada.
De graça
pois a pantera
esperava que ele trouxesse suspiros
naquela noite.


Roberto Bicelli

20120728

passagem ao passado

**porque o passado *parece
*aparece

20120726

jabuticaba é jabuti que acaba?!

20120709

por que amamos?

enquanto espancam as paredes do apartamento vizinho e martelam sem dó as cabeças em volta, enquanto os arquivos não abrem por error eorr oreoroore eorrorr eeorrr error, enquanto o cachorro tenta dormir alternando um olhar em mim e um olhar na parede que tanto batem; e aqui um parênteses: batem nessa parede há dias! enquanto caminho para uma enxaqueca aleatoriamente criativa ao esperar uma noite silenciosa e longínqua, tenho me fixado um pensamento abismal: por que amamos? seriam as marteladas, o error ou o cachorro com olhares alternados que me fariam pensar sobre isso?! o que me faria pensar sobre isso? por que amamos, céus macios, bocas moles e pernas bambas-bombas, por quê? é de trovejar as piscadas é de piscar os trovejos e no meio disso os maracujá-melões: melão por fora e maracujá por dentro. em ânsia de rocha que não pisca há séculos-luz, em luz que não ansia piscas em rochas seculares. um amálgama maluco em plena segunda-feira: descascadas as vértebras da parede, apunhalada sua pintura, sua partitura ofegante afoita fútil. um tremelique de choro, de coro de inambu. um embirro de bicas, de plicas, de lêmures, salpicas.

e eu ainda pertenço aos graus espaçados.

20120705

se é o final eu posso escolher: cair ou voar? - com silviathd

~ cair pode ser a vírgula, afinal de contas, a vírgula é um ponto final que cai!?!
~ e com essas cair a gente ainda não foi dormir instigar
~ quero ver aguentar cavalgar a aula de manhã cedinho acordadas cair a tarde de relatórios e cair como se não bastasse cair uma sexta à noite chuvosa voar

20120704

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