20130129

mal-amor.

no mistério que é a dor do outro. no outro secreto. obscuramente. no sentido ausente. na não-vida e na não-morte. sobre as nuvens picotadas. sob a terra. entre as larvas. pasmas. famintas. entre o que seríamos e o que somos. nos desbotamos. nessa catástrofe contínua. fingida vida.

20130116

estado: caindo

(entre cair e não cair, pausa no gerúndio)

20130112

ganhei uma liberdade de presente

peguei ela e engoli. prendi minha liberdade em mim-

20130105

além rua além lua além nua

20121219

corpo seco
espírito molhado

20121212

achei que ia morrer, então acordei. morri pro sonho.

20121205

Entrar naquele tedioso equilíbrio onde não és mais como uma chaleira que transborda a água sobre o fogo, num risco duplo de se queimar/de apagar o fogo, que faz gerar essa energia que te faz sobrevivente em plenos dias suados, secos por aqueles que formam tua vida, que te montam, que te contam de outras formas, que te vivem como se não houvesse água na chaleira, mas apenas a chaleira, vazia e posta no fogo. Assim te fazem os dias, assim que te encontram em meio ao vapor quase todos os dias, quase todo o vapor que já não sabes mais, que já não há mais equilíbrio com o qual consigas conviver nesses entediantes medos, nessa cautela excessiva, sem passo à frente nem passo atrás, sem nunca arriscar à beira, sem nunca riscar a nuca no que chamam de chama, que nunca alcançamos nem tentamos, que não nos faz a cabeça nem nos toca no pescoço, no que continuamos ausentes e tranquilos um no outro, onde a chaleira parece mais leve se contada assim, em plena e morna paz.

20121202

(quase que nem quasefala)

saudade numa mão e uma pedra na outra-pra alguém que nunca se sabe, (na nuca se cabe)

20121128

tratak

pra dias noturnos, tardes ventosas, manhãs sonolentas, noites orgânicas, deitas no sofá, sonhas, pegas as coisas sensíveis no ar, envolves na fronha, esmigalhas, danças farfalhas, entregas às vistas, às pistas, alpistes, alpinistas, equilibristas de memórias tecidas, vividas, desmedidas, vorazes, incapazes de poucos rios.

20121126

p/ tokyo:

gulodice de poliglotisse missen

20121119

sobre estar mais ou menos,

se perceber minguando, dormindo sem espírito, ausente de charme, carente de abraço, corrente de braços, partida de bruços, debruçada na rouquidão da noite, embaraçada aos delírios, emitindo miados, falhando de segundo em segundo, vivendo errado, talhada nos dias, junto a bezerra, coitada, fazida, punida, torta, ondulada até na alma, sobretudo inclinada ao desaforo, espatifada, parada, cocada, covarde.

entre a dúvida presente e o desastre por vir:

20121113

114. sem mais.

subir numa árvore e ficar arrancando lasquinhas do tronco. por alguns dias. sem menos.

20121111

queria ser idosa, mas hoje pensei: puxa, até que tá bom ser jovem ultimamente.

é, acho que sobrevivo jovem e feliz por mais um tempo, mesmo que não tenha muito dinheiro pra aproveitar a vida e que a sociedade crie mil expectativas em cima de mim. pensando bem, em looping, acho que deve muito melhor ser idosa, mesmo que a energia diminua e os medicamentos aumentem. numa dessas, posso continuar sendo jovem por mais um tempo e guardar o que é bom pra lembrar quando for idosa, esquecendo assim dos medicamentos a mais. e, esquecendo dos medicamentos, as dores voltarão e me lembrarei de novo que sou idosa e como eu queria ser idosa quando era jovem. pois bem, lembrando disso, estaria eu sonhando acordada?

20121107

clareza, nunca consigo te capturar

(um piscar em falso)

falar de amor não faz sentido

amar de amor faz?

entre a dúvida presente e o desastre por vir

pulsar naquela frequência que só os dias muito quentes conseguem envolver: afagar o desastre latente, o olhar desmaiante da cidade iluminada em excesso; daquele pensamento que está sempre ali, na dúvida de tentar ser um não-desastre de repente, um derrapante passo à frente, um pisar-em-falso no fora do último instante do respiro; chegar no suspiro num descuido com os próprios movimentos, num lampejo enganado, numa farfalha amorosa, num ritmo pausado, numa súbita incerteza seguida de uma dobra certeira, de uma experiência ativa, de uma série tímida; daquelas vezes que a tendência foi segura, foi dúvida esquecida, tão dissolvida entre as palavras que o assunto se nublou, se rendeu ao afofamento, se camuflou no tempo, se escondeu em meio ao que nunca existiu, mas que mesmo assim a gente foi vivendo; e vivendo a gente foi desvendo sem desvendar o que intuía, o que sentia forte sem saber porquê, o que morria em suspense de não saber o ato próprio; naquela vivência molenga, desestruturada, sonhadora, que não revela, que não coopera, que não se deixa embriagar, mas que dá uma canseira, essa roseira sem espinhos nem cheiro.