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20130228

Acordei com a frase: oito nomes para uma letra.

Imagine se cada letra tivesse um nome, algo como: se o nome da letra A fosse Bruno e o da letra R fosse Felipe, respiraríamos Bruno Felipe Bruno Felipe Bruno Felipe... Agora imagine oito nomes para cada letra!?!

Bruno Alice
Débora João
Maria Clarice
Flora Damião

Felipe Emília
Isabela Manoel
Aline Patrícia
Luiz Gabriel

Seria uma baita função respirar.

28/11/2012

Todas as ideias porta afora, caminhando sobre a grama, de passo a passo sob o sol, bêbado amarelado: gelado sol porta adentro, palavras de um lado pro outro, se aproximando umas das outras enquanto as sílabas se espreguiçam em dois litros de coca-cola.

21/11/2012 - carta

Poderia te escrever uma carta se acaso as palavras que viessem até mim fossem aquelas que pairam entre nós, que não se limitam a chegar em ti, que não se limitam a sair de mim, mas que se conversam entre si, palavra com palavra, e roubam nosso ar ao suspendê-lo num respiro próprio.

Meu avô fumando palheiro

,
minha avó enrolando os cabelos
,
um dia ensolarado
,
primos pra tudo que é lado
,
de noite a canastra na mesa
e a criançada na cama
,
mal sabiam eles que a gente continuava
pulando em pensamento.

Não deve ser fácil

esquecer tudo assim, como num grito solto por dentro do corpo, que te corta ao meio em te deixar a sós com o mundo afora, em teu mínimo andar cambaleante sobre a borda de uma dessas xícaras que tu empilhas com tanto amor sobre a terceira prateleira, uma dessas xícaras onde qualquer um bebe, mas sem te fazer cair, mesmo que pra sempre fiques ali, sem lembrar nem esquecer o abismo que foi o teu falecimento.

20121031

Resumo de quarta:

crianças brincando de carrinho de rolimã até o fim do mundo onde as almas dos galetos são suspensas aos domingos enquanto tocamos piano e bebemos café sem açúcar.

20121017

passar o presente
presenteando o passado

20121007

03/10 2

destacada do rato
flutuada do doce
possuída do sono

03/10 1 - O rato estava pra lá de morto.

Qualquer coisa que fosse, o rato estava pra lá: pra lá de morto. Vê se pode: eu aqui escrevendo sobre o rato e o rato pra lá de morto. Que mentira: o tempo passou e eu não escrevi nada: eu pra lá de morta. Mas pra lá, tão pra lá, que estou aqui. Pra lá de viva?

20121002

26/09 1 - Ambrosia

Sonolenta, assento meus sustenidos e disparo insistentes sulfites aos alfaiates:

Disse eu - Quero essa linha em tracejo por cima desse órgão de bocejo, por menor que seja a superfície, nem que permita só um risco. Disse ele - Certo, nem que seja incerto e passante, translúcido, translúdico, transpúdico, suspiro. Disse eu - Ambrosial, que seja uma torta de mousse de chocolate ou de limão, que se lance em dia de domingo. Disse ele - Que se sustente, mesmo que pause em pipas ou bicicletas, salte de cilíndricas canelas em cravos pontiagudos, desapontados, permanecidos, rotacionados, filetados, tão assados que só eles... Disse eu - Confeitados e açucarados, resgatados aos mirtilos, aos mistérios que nos são sóis.

E ficaram os dois: formigando aos doces, papeando a sós, num sol bemol, na tecla destacada do piano do dia.

20120924

19/09 3

vagem vantagem
bobagem sobre bobagem
samba aqui samba ali
manteiga que derrete ou não
tanto faz
tanto que fez que fez não

19/09 2

ventania na escuta
bagunça na sala do ouvido
tudo trocado
dentro do não-lugar
barulhos embrulhados nos cantos
empilhados aos montes
orelha do elefante

19/09 1

um pensamento cítrico: uma pulsação na razão: ser estar conter contar: enxergar pra dentro da cabeça os trovões suspensos da fala: a própria fala intuitiva esquecida: pairando no ar: boiando no mar: beirando a bobeira da seriedade, do duplo-desmaiar: dormida dormente formigante: só de repuxos, de esculachos, de atrapalhos: deu, chega de estrangular as palavras.

12/09 3

catavento de língua
linguajar desaforado
vida giratória

12/09 2

distração é matéria de poesia, como essas que a gente encontra por aí, distraída de alguém que passou e deixou a rima escapar na caminhada: entre as mãos, entre os pés, entre a minha boca e a tua fala. rima é coisa mastigada, falada internamente, uma coceira na garganta: rima me tosse, me cospe, como se eu fosse fugida da poesia, por fora da poesia
do fora. sobremesa da fala: lento empilhamento: uma rima rápida como quem come pitada de palavra sobre a palavra pitada.

12/09 1

me emudeço me meço me esqueço
cada vez que volto na polpa