20110129

ou antônimo

– entrar em parafuso é uma expressão bonita, assim como dar com a língua nos dentes ou falar pelos cotovelos e chover no molhado.
– mas quero ver algum anônimo que dê conta!
– ou palavra.

20110128

isso não é vida
é vinheta

20110125

dormir e acordar em 3 passos:

1 desenhar uma linha até atingir o sono
2 sonhar com o ponto de chegada
3 acordar para o próximo percurso
uma coisa: duas

20110119

~~ vamo pra praia logo que senão fica muito tarde
~~ que horas que eles fecham a praia?

Estou farta de trajes!

Bastam de canivetes, abotoaduras e tímidas barbelas! Que seja lançado ao precipício todo suplício de estar sobre o ser; soltar lacres e vendas! Malditas botelhas e sucupiras seguidamente mal-humoradas. Sorrateiro colibri se faz de bisturi na sombrada da noite. Embora não saiba, não caiba, não sabiá. Longitude no auge da juventude. Destroços horrendos capazes de labutar sob quaisquer pardas garças. Abutre nascido de polímero rebarbado e retalhado para re-uso. Significado de insignificância: insignificado: uma bagatela de moela. Substância da ignorância: insubstância: um brilho no espartilho.

or... or

nunca mais tinha ficado com vontade de inventar, nunca mais tinha ficado acordada de madrugada. disseram-me ser saudável viver sem diárias invenções. mas esqueci de perguntar: saudável pra quem?

20101223

primeiros pensamentos para 2011

~~ Quem diria que engolir em vermelho faz cuspir em prédios, hein?
~~ Em prédios, balões e cortinas, devo te esclarecer.
~~ Mas antes é preciso resguardar laterais e diagonais.
~~ Semelhante a lentilha agridoce?
~~ Exatamente dentro da pirâmide de vento leste.
~~ Você só pode estar de cabeleira pra dilatar uma coisa dessas.

[momento de silício]

~~ Que solidão de cobaia em águas mornas, parece até que somos instrumentistas!

[momento sulfúrico]

~~ O que mesmo eu devia vislumbrar pela estrada fractuosa?
~~ Eu saberia se a cabeça da cama houvesse.
~~ Confesse!
~~ Pois chá! Não mais me preocupo com os zunidos de iodo.
~~ Lacunais-nos enquanto há tempo.
~~ Sorrateiramente?
~~ Desconfio que pirilampos e lamparinas sabem o que fazer.

[mistura]

~~ A hora está próxima, ouço muito bem os pontos cardeais.
~~ Não me respondeste, exuberante te passo de volta os travessões.
~~ Fato é que quero os travesseiros ou uma bebida que uiva em latim.
~~ Morres e não invejas tudo... ou seria invejas tudo e não morres?
~~ Pois saiba que morro de sofreguidão ao pensar nos laticínios.

20101220

pensamento sem critério:

1 tudo suporta
2 nada suporta

20101213

"Algo me diz que" - pensa o homem até ser interrompido por uma nuvem com outro pensamento: "Não fui eu que disse" - retruca uma das cadeiras

20101210

Jogatina

Como saladas e saladas de palavras de nomes de palavras de saladas. De lado de frente subentende salientes palavras e letras de baralho. Embaralho paradas almofadas de nomes de doces. De doces nomes azedos com farinha com óleo com medos com panos com pingos de baixos prelúdios escombros de sombras. Destroços, desfecho, embaraço. Embaço. Vestígios e cacarecos. Paparicos dentro de paparicos. Trabalhuras e sérios mistérios. Categórico estatístico magnífico germânico e sintético. Cético. Assoalho arábico e púdico. Específico histórico gástrico de névoa em bico de ave cor-de-pele. Cor-de-pena de pele. Pena de pele pena pelo pene. Pelada de cor de pena-em-pena de pele-em-pele. Ser de leve algo astuto rápido movediço e nítido metido em falsificar rubrica em pele de preso no papel pele-de-ovo ou pena. Presídio.

Joaquim de sexta-feira

Estava andando pela Beira-mar na parte onde não tem mar. Nem sal, nem areia. Apenas carros. E pessoas com cachorros ou bicicletas. E cachorros perdidos. O cachorro perdido era meu. Foi meu. Foi e não foi. É que achei o cachorro perdido e podia simplesmente não devolver. Atendia pelo nome de Joaquim. Era marrom e dócil. Me apeguei tanto ao cachorro que não quis recompensa. Mesmo sabendo que Joaquim podia ajudar a pagar a conta de luz desse mês. Afinal de contas é natal e tive que gastar o dinheiro com meu amigo secreto. Joaquim me olhou como se fosse um gato de botas. Mas Joaquim é um salsicha sem botas. Telefonei para o dono de Joaquim, mesmo sabendo que Joaquim não gostava do fato de ter um dono. Por isso perguntei ao telefone pelo seu "amigo". Não foi à toa que, enquanto eu conversava com o amigo, Joaquim me mostrava um meio-sorriso. Combinei um encontro com o amigo em seguida. Mas foi difícil pra mim. Podia ficar com Joaquim pro resto da vida. Marrom, gentil e salsicha sem botas. O amigo de Joaquim ficou muito feliz, chegou a insistir na recompensa. E eu sou lá de querer recompensa por encontrar um amigo perdido numa Beira-mar cheia de carros? O amigo de Joaquim me convidou pra outro café depois de ver o quanto Joaquim simpatizou comigo. Não pude negar, ele era bonito e gentil como o cachorro. Só que não era salsicha. Mas também não usava botas e era quase marrom.

Vem

Parar no meio da prosa aos poucos. Bem aos pouquinhos. Uma gota de pouco, um pouco de gota de pouca, uma gota de pouca gota de pouco-em-pouco de pouca-em-pouca gota. Uma pouca. Bem às pouquinhas. Em boca. Na bocadura de poucas gotas. Na bocadura de gelo. Na contra-bocadura. Na boca-mole. Na boca de pouca-mole. Na gota mole. Nole-nole.

Surtar sob o lençol rispidamente. Surtar sobre o lençol calmamente. Respirando pesado, muito ar em pouco espaço. Respirando leve, pouco ar em muito espaço. Respirando espaço, vácuo.

Longas pernas de metal. Fora do corpo, outro corpo.

Calúnia invertida. Inverno. O que era meu, teu. Inerte.

Sonhai-vos uns com os outros como eu vos sonhei.

Vento.

20101125

2h10 parte dois/post-conversa pro yuri brah

Só porque um dia teve parte um./Resolvi o problema.

particular

– Quanto mais particular é a coisa, mais ela se multiplica. Imagine um problema qualquer. Agora cinco pessoas pensando juntas. Agora cinco pessoas pensando separadas sem nunca terem pensado juntas. Somamos cinco problemas.
– Mas cinco pessoas tem um problema sem solução e cinco pessoas separadas tem cinco soluções.
– É só beber três goles d'água de cabeça pra baixo.
poema não põe mesa
nem mesa põe poema
e sobremesa?

LUTO

– Luta por quê?
– Luto porque alguém morreu.
– Ué, mas luta depois que morre? Sempre achei que lutasse antes e morria depois...