20090615

post-conversa pra maika milezzi

em semanas poucas as coisas vão voltar
e eu vou voltar para as coisas muito.
ps <=> c + id <=> cm

em semanas muito as coisas vão lotar

de tanto pouco, mas tanto quanto.
sm = c + lot = [ ][ ][ ][ ][ ] (û)

sendo ps as semanas poucas, as quais se representam por poucas semanas ou postscriptum que, como são poucas assim, são descritas somente quando o nt, tempo nenhum (apud DESTERRENSE, 2009), folga e, então, o <=> vai e vém para o id, indivíduo (neste caso, eu), que <=> para as cm, coisas muito. enquanto isso, as sm, semanas muito, são cheias, lot, de poucos, sendo [ ] um dos poucos (û, tanto quanto, as cm de cima).

20090614

o mundo não vai pra frente
porque fica dando voltas
em torno de seu próprio umbigo

20090610

post-conversa pra tati plens

sempre (desde o momento em que pensei nisso) achei que são quatro situações:
1 estar escorrendo e sentir-se escorrendo, como chorar bonito ou chorar alto
2 estar escorrendo e não sentir-se escorrendo, como num esconderijo subconsciente de si mesma
3 não estar escorrendo mas sentir-se escorrendo, numa ânsia/invenção/proposição de sentir
4 não estar escorrendo nem sentir-se escorrendo, como as máquinas que esbarramos pelos shoppings, pelas imobiliárias ou pelas universidades (nem preciso citar os políticos ou os matadores de foca)

20090608

Raiva, medo, ansiedade e desejo são coisas que caem da nuvem e se esburracham no chão (duro porque combina).

Nasci emburrada com a minha vinda no mundo (e hoje sou feliz pra compensar o mundo) e de (já) saudade da quentinha e espaçosa barriga da minha mãe. Cresci bem suave e bem inocente, como algum projeto pessoal que demora o tempo que quer e que precisa para acontecer. Depois de suave, tive que aprender a ser esperta e, junto ainda, inteligente (foi quando pensei que isso fosse coisa essencial pra ser e estar no mundo). Fui surpreendida: dissolver aspereza com suavidade. Esperteza e inteligência não dissolvem e não se dissolvem, são tão duras e ásperas quanto a impaciência e as certezas (tão rígidas e claras). Então lembrei da névoa: tão mole, tão incerta e tão inocente. E, suave, vou tentar ser esperta e inteligente com toda a inocência que o mundo não permite.

20090606

leveza

o mais engraçado é quando não se sente nada quando se espera sentir muito. sentir off: sentoff é quase stolf. sentir-se off é uma bagunça: bagunçar sentimento pouco é como preencher vazio com espuma de explosão. como se fosse leveza: não por ser leve, mas por ser pouco.

o que acontece?

mentira é uma coisa saudável. viver sem um pouco de mentira, um pouco de ilusão e um pouco de invenção não é coisa que acontece, tudo porque a mentira é tão querida quanto o cenário das versões. (as verdades nem existem, o que existem são lembranças que são versões do que acontece.)

eu lembro que acontece o que eu invento.
eu invento o que eu lembro que acontece.

murmúrio

lamúria, apesar da significação, é uma palavra que me deixa feliz. é como luminária, luminúria, lamurinária ou malária.

c-aqui

o que eu poderia fazer neste resto de mundo, neste resto de noite, se não ficar tão feliz assim com estes caquis maduríssimos? fiquei tão feliz ao pensar que eram tomates se desmanchando e se transformando em caquis... e não é que já estavam caquis? tanto caqui que comi todos os ferros de uma vez só.

20090528

ormigren e memória ram são duas coisas que resolveriam meus problemas. outra coisa é um trailler. 

pudim de mundo

não é a primeira vez que faço um presente pra alguém mas fico pra mim. eu vivo dessa mistura de tempo e me dou de presente alguma lembrança de mim mesma. assim, nado nesse pudim de mundo, nessa meleca que não se dissolve e é tão difícil de desgrudar do corpo. é como o gel das relações, é a minha relação com o mundo: o meu pudim.

20090516

coco is as

  1. esquisito
  2. mosquito
  3. skinny
  4. esquilo

20090511

o sossego apareceu tão distante

mesmo se expandindo depressa ao engolir o mundo sem ninguém perceber. eu fiquei com uma dúvida enquanto o vento me bagunçava por fora: este mundo está em que sentido? 

olhei pro chão por minutos quase eternizados e vi uma flor rosa caminhando: vi duas, vi três e logo vi que o pedaço de chão rosa estava inteiro caminhando. estaria o pedaço de chão a caminho do largo sossego? 

eu quis muito me diminuir até ninguém mais me ver... pra caminhar pro sossego também. eu não extrapolei nos pensamentos lamuriosos porque o dia estava muito lindo e fresco. só não está assim o mundo. 

o meu mundo demora demais, também as minhas pessoas e as minhas flores. as ausências não demoram. e é por isso que eu as amo tanto.

20090509

meu, minha, meu ninho

na caminha, 
caminhar de caminho em caminho 
sem cominho comigo

20090505

ontem mesmo:

chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol e depois de uma eternidade e pouco eu vim pra casa sem chuva. foi incrível! (tirando a parte que sacudi o addes de morango que tava meio aberto e eu não vi: em vez de pegar chuva, peguei addes de morango pra me molhar)

20090429

faço um check list ou outro

pra acertar grande parte do meu gosto.
não quero pouco, mas também não quero demais,
só não pode comer animais
nem falar só de números e coisas chatas
(como se a vida fosse coisa exata)
e ser chato de galocha,
metido, falador ou jogador de bocha
(tá, isso pode, poxa).
tirando isso, também não quero gente pequena,
que nunca sabe o que quer,
nem como agir em ocasião qualquer.

gosto de pessoas um pouco aéreas,
de bom gosto e de bom humor,
que aproveitem o ano e que gostem de férias.

20090427

método de pelúcia

Tudo bem, eu já sei do erro todo
que me enche de tanto lodo.
Mas é que tá me faltando astúcia
como a de bichinho de pelúcia
que tem um macio método.