20090528
pudim de mundo
não é a primeira vez que faço um presente pra alguém mas fico pra mim. eu vivo dessa mistura de tempo e me dou de presente alguma lembrança de mim mesma. assim, nado nesse pudim de mundo, nessa meleca que não se dissolve e é tão difícil de desgrudar do corpo. é como o gel das relações, é a minha relação com o mundo: o meu pudim.
20090516
20090511
o sossego apareceu tão distante
mesmo se expandindo depressa ao engolir o mundo sem ninguém perceber. eu fiquei com uma dúvida enquanto o vento me bagunçava por fora: este mundo está em que sentido?
olhei pro chão por minutos quase eternizados e vi uma flor rosa caminhando: vi duas, vi três e logo vi que o pedaço de chão rosa estava inteiro caminhando. estaria o pedaço de chão a caminho do largo sossego?
eu quis muito me diminuir até ninguém mais me ver... pra caminhar pro sossego também. eu não extrapolei nos pensamentos lamuriosos porque o dia estava muito lindo e fresco. só não está assim o mundo.
o meu mundo demora demais, também as minhas pessoas e as minhas flores. as ausências não demoram. e é por isso que eu as amo tanto.
20090509
20090505
ontem mesmo:
chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol, chovia, dava sol e depois de uma eternidade e pouco eu vim pra casa sem chuva. foi incrível! (tirando a parte que sacudi o addes de morango que tava meio aberto e eu não vi: em vez de pegar chuva, peguei addes de morango pra me molhar)
20090429
faço um check list ou outro
pra acertar grande parte do meu gosto.
não quero pouco, mas também não quero demais,
só não pode comer animais
nem falar só de números e coisas chatas
(como se a vida fosse coisa exata)
e ser chato de galocha,
metido, falador ou jogador de bocha
(tá, isso pode, poxa).
tirando isso, também não quero gente pequena,
que nunca sabe o que quer,
nem como agir em ocasião qualquer.
gosto de pessoas um pouco aéreas,
de bom gosto e de bom humor,
que aproveitem o ano e que gostem de férias.
20090427
método de pelúcia
Tudo bem, eu já sei do erro todo
que me enche de tanto lodo.
Mas é que tá me faltando astúcia
como a de bichinho de pelúcia
que tem um macio método.
20090425
boboca
assim que a nossa noite passou, escorri toda ao te olhar dormindo. tive uma sensação de cereja que te perderia mesmo antes de qualquer coisa. parecia que eu conhecia teus pães de queijo sem te saber. mas mesmo assim projetei em ti um filme-mais-que-perfeito. eu sei que sou distante e só te provei o quanto gosto de ser sozinha. mas naquela manhã enquanto te pensava eu só te queria pra sempre sob o orelhão
que a cuca vem pegar
sempre soube que só pegaria no sono quando meus pés esquentassem. ninguém sonha com os pés gelados
20090420
cocoisas de galináceos
cócoras é como os galináceos se acomodam no espaço
cocoricó é como os galináceos se comunicam
cacoete é coisa galináceo extra-terrestre
coca-cola é a bebida favorita dos galináceos
cocota é a galinha que usa salto alto
rata rouca, roqueira e risonha
é um lobo-mau?
é um esquilo?
é um urso?
é um cachorro?
a rata é rouca,
mexe o focinho com a pata
e dá tchau de coceirinha
pi, play e pé-dra!
(guardanapo é café-com-leite)
20090419
lista pista proposição
farinha farofa farelo poeira fanfarra folia fofoca
família falação feriado palpitante fixação correria gritaria nostalgia
futuro curiosidade profissão felicidade criação fotografia coleção piração magia chocolate
inércia tpm televisão guloseima preguiça
festança formatura viagem amizade saudade amor alegria prazer simpatia pixel chocolate
cinema suspiro do dia
doçura procura alguém amor
engrenagem esquecimento arquivo documento
mapa visita amor vida
molenga conga palerma palermo ameba gorda
coisa concreta fato pato lago
coisa miúda minúcia astúcia solidão
20090418
f-me
quando um rato chega por perto é xadrez, é sensato, é preso no mundo dos botões, mas porque é rato, porque é xadrez e porque, de fato, tem doze corações nas patas. patas de água. longínquas quando se fecha os olhos. só um palpite. só palpita. um por um a pisar em chão líquido. em chão de pó, de nuvem, de calma, de alma ou de alfajor. eu tinha ganho e eu perdi. migalhas palpitantes. prende os olhos com alfinetes e desiste. alfineta os pensamentos que o xadrez mais permite. emite luz. calor. simpatia. é tudo tão simpático de noite. quando as pessoas viajam, as outras permitem. quem é viajado é meio xadrez e meio rato. quem permite é meio perto e meio sensato. essa coisa toda podia ser chamada de flama ou de lama. porque "f" é só coisa de vento. me f.
sensação de filme
sílabas entre aspas são tão suspeitas. tão suspeitas, tão cansadas como a poeira da última gaveta. como o pássaro que canta, mas não existe. o pássaro que nasce toda manhã dentro da cabeça. como um método novo por dia. um pepino-pele-de-sapo a menos por manhã. naquela que, um dia, acordou cheia de sol e calor escondido. foi que pulou do sol um gatinho tão aconchegante em olhares que mal dava pra desviar da fuga. coroei. foi que tirei aquela foto de coisa-morta e coisa-viva em gigantesca nuvem de névoa, daquelas bem densas e cinematográficas. parecia até feita de gel. ou de polpa de maçã como é feita a alma. para onde foram todos os fios dos caminhos já percorridos? se perderam ou foram vendidos? tudo porque o que interessa é o que fica. tanto carinho longe esfarela qualquer calma que marca o caminho de volta. não que eu volte. eu engoli as chuvinhas, chovi as pitangas e girei bem vermelha. mas sempre existem pombos famintos de calma na cidade. suja. cheia de farelo. cheia de calma. limpa. bá bá bá. cheia de alma.
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