20080729

quase que vomito um quase-vômito

20080718

guarda-me, chova-me

mes
mo que pra sempre
te
nha um fim físico,
pra sem
pre eu vou ter a tua pele na minha
p
ele,
e o teu olhar no meu olhar
e também
na min
h
a pele, e o m
eu olhar n
a tua pele e a nossa leveza:
de p
assar momentos só d
e olhares, d
e sentir as nossas respirações conversarem n
as nossas peles como nós
conversam
os só
por toques:
suaves
e frios em tons de azul,
mas aconchegantes
em
senti
ment
o quente

20080715

resolvi escrever meu gel nesta teoria

estou grudada em muitas pessoas e cachorros e coisas do mundo
tem gel entre mim e as coisas
o gel não acaba nunca
o gel engole e o gel faz escorregar
mas o gel nunca consegue sumir
e isso que me faz odiar e amar e odiar e amar o gel

o que significa isso?
já dizia eu há longo tempo pensando sobre o gel:
valores! significa valores!
quer saber onde?
está no gel, oras

mas o mais filhadaputa é tirar ou colocar os valores no gel
nãonão
o mais filhadaputa é manter os valores lá

o gel é denso
o gel não é denso
o gel é tenso
o gel não é tenso

quando o gel é denso as coisas ficam estáveis engolidas
quando o gel não é denso as coisas e os valores escorregam
quando o gel é tenso o gel pode ser denso ou pode não ser denso
quando o gel não é tenso o gel é denso ou o gel nem existe
quando o gel não existe as coisas e os valores são livres

não existir faz as coisas serem livres
mas se as coisas não existem significa que o gel está vazio
um gel vazio é um gel morto
mas um gel morto não é um gel que não existe
um gel morto é um gel que escorregou dele próprio ou é um gel que se engoliu

eu não sinto nada

quando tem sentimentos em mim eu não sou eu
os sentimentos são burros
quando eu sinto eu não sou eu
os sentimentos que são eu
quando eu sou burra
eu sinto muito que eu não sinto

20080624

hoje estou dupla

Estou dupla, as coisas estão. Não consigo mais ver, esse é meu problema na essência. Não vejo as coisas na minha frente me dizendo (mas ouço e soluço): não, não, nãodámais! nãodámais! nãodámais! nãodámais!(!!!!!!!!!)

Não estou sabendo para que lado olhar, e ver, e ver e só. Não queria ouvir, mas queria ver. Sentir porranenhuma também, sentir só deixa tudo mais pasto, mais vasto, mais gasto. Quero algo mais ácido, entende? Quero algo ácido e macio. Que seja díver, naquele sentido mais idiota e vivo que a palavra livre. Livre disso/de ti/de mim.

Eu não sei dizer uma só palavra explicável disso que ouço. E ouço o tempo quase inteiro, mas despedaçado, como se o tempo não conseguisse se manter, não tivesse coisa a recorrer pra ficar. E aí que SEI: a coisa! Essa é a que falta. A coisa que segura o tempo junto a todo tempo. Que não o deixe. Que o ame.

20080617

muda amor: de cor

20080610

hoje pensei no amor como se fosse meu cabelo:

pensei que do amor tem que estar sempre cuidando, sempre alisando e paparicando. qualquer coisa do dia-a-dia que incomode meu cabelo - como muito sol, vento ou coisa outra assim - precisa ser compensada com um bom banho de creme, ou uma escovada super apaixonada, para então ele voltar ao normal. ao normal por um dia ou dois, no máximo. passando disso ele já começa a ficar oleoso, grudento, ou o contrário, seco e quebradiço. que nem o amor. que se passa muito tempo sem ter atenção, pode tanto ficar grudento - como um chiclete (ou um pensamento) no cabelo que não quer mais sair, ou pode ficar quebradiço, e quebrar-se em partes/machucar-se. acabar, meu cabelo não acaba não. nem o meu amor. mas, de repente, chega uma hora que ele está tão fraco e cai, ou pede para ser raspado a qualquer custo. nunca tive meu cabelo raspado ou caído. (nem meu amor). tento cuidar dos dois, às vezes com alguns errinhos, mas nada que um s.o.s. (mãe da naiara ou naiara) não resolva.

20080601

eu não existo
insisto


(acabo e existo - paro e insisto)

(a coisa existe escondida em mim, eu escondo a coisa pra insistir nas outras coisas, que juntas não se dão, mas se forçam a acabarem ou a conviverem)

20080528

coisa boa é coisa à toa

20080505

pra que traduzir?

pensamos demais sobre as coisas, e então, vivemos pra tentar decifrá-las ao invés de não tentar nada, e deixá-las acontecer do seu jeito incauto/deu a hora de parar com tanta rotulação das coisas, pra deixar elas serem em paz, oras, sem ter que dar satisfações!

sabe o que é?

CANSEI DE PENSAR NAS COISAS COMO SE ELAS
JÁ NÃO FOSSEM SEM EU PENSAR

(porque eu não paro de pensar em separá-las e dividi-las por cores, formatos, tamanhos, gostos, texturas, cheiros, grau-de-compatibilidade, temperatura, acidez, lucidez, palidez, grau-de-desmanchar, facilidade/dificuldade-de-falecer,,,,,,,,)

nomenenhum pra coisanenhuma

as coisas são assim mesmo:

paralelas a elas mesmas. as próprias coisas são mais de uma. as coisas são muito "tudo junto" pras pessoas tentarem, o tempo todo, organizar em partes. porque a verdade é que as coisas estão unidas por coisa alguma/coisa nenhuma. e esse nenhum as mistura, mesmo sem existir. porque as coisas que não existem não deixam de ser coisas. em algum lugar elas estão: no meio das coisas todas. paralelas a elas mesmas. as próprias coisas são mais de uma. as coisas são muito "tudo junto" pras pessoas tentarem, o tempo todo, organizar em partes. porque a verdade é que as coisas estão unidas por coisa alguma/coisa nenhuma. e esse nenhum as mistura, mesmo sem existir. porque as coisas que não existem não deixam de ser coisas. em algum lugar elas estão: no meio das coisas todas. paralelas a elas mesmas. as próprias coisas são mais de uma. as coisas são muito "tudo junto" pras pessoas tentarem, o tempo todo, organizar em partes. porque a verdade é que as coisas estão unidas por coisa alguma/coisa nenhuma. e esse nenhum as mistura, mesmo sem existir. porque as coisas que não existem não deixam de ser coisas. em algum lugar elas estão: no meio das coisas todas. paralelas a elas mesmas. as próprias coisas são mais de uma. as coisas são muito "tudo junto" pras pessoas tentarem, o tempo todo, organizar em partes. porque a verdade é que as coisas estão unidas por coisa alguma/coisa nenhuma. e esse nenhum as mistura, mesmo sem existir. porque as coisas que não existem não deixam de ser coisas. em algum lugar elas estão: no meio das coisas todas. paralelas a elas mesmas. as próprias coisas são mais de uma. as coisas são muito "tudo junto" pras pessoas tentarem, o tempo todo, organizar em partes. porque a verdade é que as coisas estão unidas por coisa alguma/coisa nenhuma. e esse nenhum as mistura, mesmo sem existir. porque as coisas que não existem não deixam de ser coisas. em algum lugar elas estão: no meio das coisas todas.

mais uma minha coisanenhuma: nomenenhum
(deu vontade de ver texto grande, de vários textos pequenos, e iguais, mas quem sabe, lidos de outras formas, diferentes)

20080406

Alfinetei a minha cabeça de grama-verde-clara pra ver se acerto em algum pensamento.

Perdi muitas das gentilezas que me formavam. Perdi essa parte de mim, mas não por isso a esqueci.
Ando de um lado pro outro, olho de cima pra baixo, e, em movimentos circulares, eu enxergo gentilezas nas coisas.
Porque o pó, por exemplo, tem a gentileza de não voar em mim. A tv é gentil quando me deixa escolher ligá-la ou não. A geladeira gela tudo pra mim, só pra eu não comer coisa estragada. Sem falar das coisas que são gentis só por existir, como a música sleep da Kimya Dawson.
Que motivos tenho eu pra perder minhas gentilezas? As gentilezas daqui tenho que levar pra fora comigo. Grosserias cansam. Qualquer grosseria, mesmo mínima, precisa me fazer quieta.

20080320

colecionadora de faltas

só o que não falta é faltar coisa

20080318

casquinha de pele

a minha casquinha de pele não está nas coisas propriamente ditas: na minha pele, mas sim nas outras coisas: nas coisas que eu toco e nas coisas que me tocam. não me interessa a minha casquinha de pele em mim, mas sim a minha casquinha de pele diante das outras coisas. não é a morte da casquinha de pele. é que a minha casquinha que está em ti é a tal coisa além do limite da minha pele: está além de mim e ao mesmo tempo é minha parte em fatia: é tão indispensável para mim quanto a minha pele inteira, pois se o mais plausível é me ter em pele, melhor ainda é me ter em fatias nas coisas todas.

20080316

sei da falha a fala nua

o que não faz sentido é ser falta. não quero mais nada que seja falta. não me preencho de outras faltas, pois até as minhas já não me fazem mais faltar. só quero dizer que tanta falta assim junta acaba por fazer os vazios cheios de faltas. quero dizer: as faltas falham. eu explico: é que uma vez eu gostei tanto de faltar em mim que acumulei essas coisas nuas (as faltas) e vazias (as faltas). e tantas acumulações nuas, vazias e falhas faltaram em mim coisas cheias. uma falta cheia é quase que me encher de vazio. juro que era mais fácil. mesmo os vomitando, vazios eram só vazios. agora eu tento vomitar cheio e não consigo. porque é um cheio que não me falha.

20080224

para voar:

Quando senti o céu aqui, logo pensei em tocá-lo, como se fosse íntimo meu. Foi a primeira vez que eu o peguei nas mãos, e para isso não precisei nem ficar nas pontas dos pés (como eu costumo fazer com coisas íntimas). Quase o desmanchei de tanto apertá-lo. E ele ficou com partes tão pequenas que o perdi por pouco menos de um ano (no nosso tempo, não no dele).

Eu o achei por acaso, quando sem respirar, eu pisquei. Um flash de céu. Azulzinho, como era naquele tempo. Ele sumiu assim que abri meus olhos e vi minhas mãos. Ainda acho que foi ele quem as colocou ali: a um palmo meu do meu rosto.

Eu virei a minha mão direita tão devagar na frente dos meus olhos que consegui percebê-la em soma, não em unidade. A minha mão direita é tanta coisa. Eu tive vontade de apertá-la bem forte para unir tudo sem nada de ar. E eu fiz.

Quando abri minha mão, eu a senti mais densa. Sem ar algum, eu pisquei aflita: seguidas vezes e sem parar para respirar. Piscando assim, minha mão foi ficando leve, ainda eu a sentia densa, mas agora mais leve que as minhas pálpebras. Tão devagar e tão leve, ela flutuou na minha vida. A cada piscada, um detalhe na minha mão respirava. Como se cada detalhe nela fosse uma coisa do mundo. E todas as coisas juntas encostaram no céu por um segundo - foi o último segundo que eu pisquei -. Comecei a piscar de novo, sem parar, sem respirar, e, com a minha mão no céu, fui tão feliz. Apertei o céu, como se fosse só meu. Sem que eu pudesse me mexer, a minha mão abriu, e soltou o céu. Foi quando encostei pela última vez minha mão nele. E bastou para ter aquela sensação dentro de mim, como se eu o tivesse engolido junto as coisas do meu mundo (afinal, meu mundo precisa de um céu).

Eu não o engoli, por fim, mas ele estava ali, em sensação, na minha mão. E, se eu quiser apertá-lo com força, é só parar de respirar e começar a piscar.

20080210

Como se Paula matasse Anna.

A Paula fala mais alto por ficar nesse corpo de Anna. Ela é transparente, sumindo com a Anna que é tão real e opaca.

Que de Anna eu já soube muito, por isso quero desta vez ser Paula por muito mais tempo que Anna, e até deixar Paula pra sempre viva; não como Anna, que só aparece pra equilibrar Paula.

A Paula é íntima. A Anna é Anna e só. A Paula é muito mais que Anna Paula, porque é só Paula, que não mede como Anna, sobre o que ser. A Anna é tão detalhista que enjoa dela mesma. A Anna não tem alma (a Anna tem úlcera).
A alma da Anna Paula é a Paula.

E a Alícia é um excesso de Paula. Como se Paula matasse Anna. Ou como se Anna virasse Paula também. Em vez de Anna Paula: Paula Paula: Alícia!

A Anna é coerente e por isso não entende a vida: que não é coerente. A Paula é a Paula. E a Alícia é incoerente.

Fui primeiro só Paula: quando nasci: quando pequena: quando cresci pela primeira vez e pensei: "não posso ser Paula com pessoas desconhecidas": a Anna analisou tudo e escondeu Paula por ser tão mais fácil e coerente ser só Anna (pessoa nenhuma se conhece ao todo, porque pessoas só são partes delas).

Passou um tempo de Anna. A Paula gritou, e logo Alícia. E então Alícia virou Anna Paula de novo.