20130604

adoro quando dá felicidade do nada

adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa. mesmo que nada. pois adoro o nada e quando ele me dá qualquer coisa.

20130602

conversa de pensamentos

~bom de foto ou de desenho é que você não precisa falar nada pra dizer.
~ué, e quem disse que com texto eu preciso falar alguma coisa?

um poema me dizia

"eu te amo eu te amo"
acontecia: tapa na cara
"cala boca" retrucava
"vai pra puta que o pariu"
de novo acontecia: tapa na cara
"cala boca" retrucava
quem tu amas te ignora
quem te ama acontecia
"eu te amo eu te amo"
tapa na cara
"cala boca" retrucava
"sai daqui"
"vai pro inferno que te parta"
quem tu amas te ignora
"cala boca" retrucava
acontecia: tapa na cara
não é de todo mal
se nem amas nem nada
o que diabos seria?
"sai daqui cala boca"
tapa na cara acontecia

20130527

o rosto passa o tempo fica

o rosto empasta o tempo ramifica

20130525

ser-se

a fria temporada está chegando ao fim. pois a lagoa está exausta. pois o rumo se contorce. o inverno mal começou, mas o frio já está por partir. vira-vira resistência à vida. dá o nó do outro lado. calma, paciente, internamente. te contenta com a chuva. experimenta estar aberta. guardar o verde, as vagarezas do tempo, as máquinas de fazer palavras. guardar-se para então viver-se. para então soltar-se e reaver-se. tem mais quente do que estação.

20130524

Por esquecer:

Você se contorce, se torna insuportável, quando não por suas palavras, por suas observações quietas e suspeitas, que vivem te julgando, por todas as pessoas que você alimenta dentro de si mesma. Te estapeiam, te fazem convergir pra esse bife de alma reclamão e mascarado, que esquece de viver pra mastigar a si mesmo, suas memórias, suas sensações de hoje do que foi, sua ficção interna, passada como um filme por dentro da sala-de-estar do estômago. Várias vísceras acomodadas, esperando o suco de laranja do meio da tarde, a pizza do começo da noite, a saliva engolida em seco do fim da madrugada, sendo ela que te tem nas mãos... As mãos da madrugada são aquelas que te acolhem, te fazem menos carente de ti mesma, mais carente do mundo, enxergando por entre o sono a linguagem dos outros que te habitam por todos esses meses, e te fazem esquecer, nos dias que seguem escorrendo, o quanto você se limita no tempo, o quanto vive de lembrar, esquece de esquecer e morre de viver. Mas nem tudo se encontrou, nem tudo se resumiu, nem tudo foi vivido, pois algo se perdeu, graças, e ali que você está quase por chegar, só mais uns meses e está pra nascer, esse outro lugar, esses outros convidados a te terem nas mãos. Por entre a madrugada, num terreno baldio.

20130521

tô estranha

tô entranha tô em transa tô em transe tô entre ânsia e coisa que franze que manha que apanha de mim de ti dele e do mundo inteiro enquanto o corpo caramujo escondido em mim em ti nele e no mundo inteiro tá em transe tá em transa tá entranha tá estranho que coisa que manha que fronha que foi enquanto isso

20130515

junta amor de lá
corpo daqui
e até que dá
um aconchego

20130512

filó me olhando,

de barriga pra cima, de olhar profundo e orelhas atentas, como se eu fosse sua mãe, com meu olhar raso e orelhas escondidas por trás dos cabelos, servindo apenas para segurar o óculos, este que nasceu no lugar daquele que ela comeu, mastigou algumas partes e engoliu outras, como se me dissesse: se usas este óculos para que tuas orelhas existam por algum propósito, como-o, para que enxergues melhor com o próximo a minha barriga pintada, que um dia serviu para teu último óculos.

20130425

cri-cri

(crise criativa)

20130424

completamente incompleta

visto agora minha camisa-de-fraqueza, meu olhar fracassado, minha espada partida ao meio, minha boca-aberta, minhas pernas bambas e sigo. não importa se sou poeta ou o diabo. ou se o diabo é poeta. ou se a pedra. ou se a queda deserta. infarta. capeta. fica esperta. neném tem cara de esfinge. ou de planeta. não importa. quantos pontos de luz te seguem por trás das orelhas? raposas. alertas. caretas mestras. te enganas. e segues. te enganas e te ganhas em sucessivas respostas. gritarias. risadas. solidões tão sós que nem o sol. tanto mendigo a espreita te esperando passar. te curvas. te cai nas mãos uma escuridão. uma montanha. passos soltos e quase mortos. são as vidas que te seguem. já mortas. pedintes. te derrubam e não te levantas. nunca mais ou nunca menos. não importa. prisioneira de ti ou do mendigo ou do diabo ou do poeta. alguém se importa. a esfinge. só a esfinge te completa. mentira. conferes. por favor. eu me curvo cada dia mais pra enxergar o que há de mais alto. o que há de menor na ponta do último ar. sob a primeira cova depois do nascimento da esfinge. céus. terras. submundos. sobre-mundos. só as caretas desmazeladas. amarradas com barbante do mais barato. bem apertadas. até tirarem o suco do teu sufoco. pois conseguiram. te digo ainda. que eles são tu.

20130418

O problema é que ninguém substitui ninguém.

E justamente por isso, vai ficando cada vez mais difícil de arranjar espaço pras próximas pessoas. E quando tu te dá conta, teus sentimentos antigos estão tão apertados que parecem ainda mais pesados, maciços, incríveis, contrastantes com esses sentimentos frouxos que entram aos poucos, ficam por pouco, se doam em partes... Quem vem ficando com o espaço presente, acaba tão leve que voa com um sopro. Mas também volta com um sopro. Até que alguém venha e empurre-o tão pra dentro em tão pouco espaço que não mais sai, que não mais pesa pouco. Mas dizem que o presente é sempre o outro. O outro, não esquece.

depende.

me sustenta. me suspende.
sos.
me sus.

20130410

Amassar palavra pra fazer pão de texto.

Gosto mesmo é de começar texto do zero-a-zero. Pois que aflição que me dá ter que ficar remendando frase, sacrificando palavra pra fazer nascer outra no lugar, quando sou obrigada a escrever texto do zero-a-um, do um-a-um, do zero-a-dois ou qualquer coisa que venha a empacar o pensamento. Tirou do zero-a-zero, pois pode empalhar, vai ficar pros seres cibernéticos-magnéticos-proféticos o resto. Não, mas não assumo mesmo esse risco de ficar amassando página e página como se fosse massa de pão. Aperta, contrai e cadê que chega a hora de ir pro forno? Massa de texto é assim, quando chega o momento de assar, ele passa tão, mas tão rápido, que nem raio de trovão, que a gente nem sente, só arrepio. Quando vê tá lá, amassando mais um zero-a-um, zero-a-dois ou dois-a-dois. Quando vê tá lá, fazendo as palavras praticarem yoga, alongando e distribuindo o texto de tudo que é jeito. Quando vê tá lá o sol, as pessoas, os cachorros, os livros e tudo o mais, passando o tempo no parque, ouvindo uma música alto-astral e pensando em fazer pão quando chegar em casa. Não é assim? Bom mesmo é pão sem remendo, pão que é feito de várias ideias e posto no forno até ficar pronto. Pois se abre o forno, já sabe né. Temos pão batumado. Denso, tão denso que fica difícil de ler, decifrar de onde vieram os pensamentos, de tão consistentes. Mas, sabe, uma massa aerada, uns momentos de respiro, pensamento leve, sem esgotamento, que abre espaço pra mais texto, pra mais trigo, pra mais. É difícil dizer, mas prefiro escrever aquilo que não como.