logo pela manhã, deixa uma das dobras da testa um pouco mais iluminada das loucuras todas: loucas! loucas! loucas! A dobra é a menos tresloucada do que todas as outras. Ela é a única que percebe toda a aflição das dobras enquanto lutam para todos entenderem: as coisas não passam, as coisas franzem! Onde é plano as armadilhas estão armadas ou em processo de armação, já onde é franzido, todos sabem, as armadilhas dormem. E a luz, caso pegasse em plano, queimaria qualquer loucura em extensão de pele e isso soaria como a maior sensatez de todas: o medo de mudanças e de andanças: a pele lisa e única em sua polidez. Armadilhas dormidas não mais, o que seriam das faces dormidas se as peles-sensatas não percebessem a aflição das dobras? É um único/é um úmido/é um vício. O que é plano escorrega as coisas para frente, para trás e para os lados, como se nada se misturasse o tempo inteiro, que é inteiro por não ser segmentado em elegantes peles estáticas na [vida]. Não são camadas e não são organizadas, são só banhadas num todo que se encontra a todo instante e brilha por ser de gel, de geléia ou de doce-de-leite. Peles brilhantes descansam em paz e em doçura.
[2009]
20120517
20120514
20120507
Penso em cobertas azuis ou vermelhas
quando estão bem amarrotadas e cheias de sono. Viviam me dizendo para arrumar a cama: espantar meu sono de lá: enxotar os franzidos da noite. Eu nunca gostei muito desse método para acordar, gosto de saber que meu sono está guardado por dentro das dobras da coberta (pode ser a azul ou a vermelha). Parte do meu sono vem comigo para o banho: lá se vai sono ralo abaixo (ralo é rico em sono)(barata se alimenta de sono para não precisar dormir)(sono e cabelo se atraem). Mas a coberta, oras, não precisa disso, não precisa do dia dentro dela, ela é amaciada de sono, sonho e aquela dispersão de gente deitada. Por dentro das dobras da coberta tem uma sensação de livro de página amarelada, aconchegante e dormida. Cada franzido tem engolido um pensamento (ou dois, isso depende do espaço que cada pensamento ocupa no franzido e do espaço que o franzido tem para cada pensamento). Franzidos não estão só na coberta, mas também nas testas (com sono ou sem sono, com pensamento ou sem pensamento). Tem testa que franze tanto e é tão vazia, tem testa que franze pouco e transborda e tem testa que é certa, é focada na [vida], pensa e franze num equilíbrio que só na maior disperção das coisas planas que se consegue notar. Tem testa que é como coberta vermelha. Tem testa que é como coberta azul. [Tem testa que é do Tokyo e tem testa que não. Tem coberta que é do Tokyo e tem coberta que não.]
[2009]
[2009]
vida franzida de roupas, pés, maracujás e nenéns
[eu me movimento][eu me dobro][a minha vida franze][a minha mãe chama franzir de emburrugar][eu me emburrugo toda][a minha saia é plissada][a minha roupa amassada eu não passo][a minha vida não é passada][a minha vida é franzida][a minha vida se encosta nela mesma][as dobras dos meus pés também][a minha testa franze pouco][as das pessoas variam][os maracujás me entendem bem][os nenéns também]
[2009]
20120429
20120422
20120421
20120411
20120405
20120404
a importância das desimportâncias
quase-falas não são falas ponto número um mas não mais importante que os outros eu diria digo já disse e por isso aqui de novo o ponto número dois não que enumerar faça alguma diferença mas me faço de organizada pra não desconfiarem as cebolas que carrego na bolsa ou as bolsas todas nos dois ombros não que enumerar os ombros seja uma forma de pesar algo de um lado e outro do outro como se o cérebro fosse assim separado mesmo que seja talvez mesmo sem válidas vorazes palpáveis assimiláveis ou outra alternativa às minhas quase-quase-quase-gagas-falas desimportantes desinformantes mas que sou eu assim mesmo desimportante e desinformante no meio dos importantes formais colossais magistrais computadores cortadores fresadores fazedores e apunhaladores de vértices vórtices metálicos sumários do auge que me plange que me fisga em que me rangem os bruxos os luxos os laxantes que deliram afetos sem rumo sem meio sem prumo sem cuidados apáticos telepáticos estáticos mas em volta disso os berros a raiva o medo e a descoragem de não se meter em sofreguidão contínua desperdiçada despedaçada alvoroçada desmagnólica
20120331
você aprende a cozinhar novos pratos quando:
1 tem muita comida em casa
2 tem quase nenhuma comida em casa
2 tem quase nenhuma comida em casa
20120326
sobre desdém
me sento adiante da fina furiosa batina de seda de soda de foda não aguentar seguidas pulsantes piscantes plumantes são tuas mágoas mentiras fuligens focinhos ratinhos de corda de sorte de corte daquelas veias de plasma casca de jabuti siri saci que inveja todo o lado que não anda que não pausa que não chama que não pão que mão que manha envolta de pus de mousse de luz perdida nas águas de célula em célula de pele em parada de chão de só de choro de tudo que dá na mesma lesma resma flácida ácida esmiuçada em planta em pranto em bílis carnais chacais vidão de nada cumprimento em melodia parada
20120325
até que a mordida seja passada adiante murmúrio nada restará ao desgaste provocado pela ventania que murmúrio simultaneamente aos pensamentos arredondados dos solstícios murmúrio aborrece as redundâncias gramaticais cavalgar atinge-as de modo que todos os pássaros avoados murmúrio assim como os gatos que adormecem com convicção sobre os parapeitos murmúrio silenciam por meses a fio murmúrio a plano e a volume sopro queridos salamaleques dos meios-dias murmúrio margaridas murmúrio floras e letícias cavalgar todos convocados a esclarecer os fatos que não os fazem abrir os olhos murmúrio de tanto que acontece por baixo das pálpebras cavalgar oceanos transbordam pequenas coisas que não suas águas murmúrio humanos falam alguns lírios que não palavras murmúrio gatos andam em círculos que nem cachorros que apertam os olhos com força murmúrio vírgulas vivem juntas para se fazer de reticências murmúrio joões-de-barro sentam nas janelas murmúrio fabricantes de algodão murmúrio de pão sírio ou de ilustrações ilustres estupendas palpitantes translúcidas faiscantes pelúcias ou plastificantes são gratos pela sequência de chuvas sopro vento-chuva-vento-chuva sopro como ponto-e-vírgula cavalgar vírgula-vírgula-vírgula; ou gárgula cavalgar gárgula-gárgula-gárgula sopro
eu vou aprendendo que o tempo é uma coisa louca mesmo sopro depois que vi o homem vendo sua própria morte enquanto menino pensei em duas coisas cavalgar 1quando eu encontro pessoas na rua murmúrio pessoas desconhecidas murmúrio uma delas pode ser eu mais velha ou eu mais nova murmúrio ou as duas coisas murmúrio ou várias delas murmúrio ou ainda eu de outras maneiras por viver em épocas culturalmente e de espíritos distantes 2uma hora ou outra pode ser possível eu pegar um caminho para onde nunca fui cactos e então não me encontrar na rua ou em outros lugares em outras épocas e conhecer pessoas que nunca conheci e me apaixonar por isso de estar sozinha e longe até de mim mesma cactos
que coisa estranha é esta das pessoas estarem sempre presas aos blocos da vida sopro-sopro-sopro eu ando e penso que as pessoas são só da minha cabeça sopro é murmúrio mais ou menos isso sopro se eu resolver mudar a minha cabeça as pessoas vão mudar também sopro e eu vou ser aquela outra-eu que esbarrou em mim enquanto eu caminhava no super-mercado procurando o iogurte perfeito para o dia de hoje sopro parece uma coisa meio egocêntrica dizer que eu me encontro por aí nas outras pessoas sopro mas a verdade é que as coisas são egocêntricas sopro e alguém consegue pensar no outro sem se colocar no lugar dele cactos numa dessas somos todos a mesma pessoa em fases da vida diferentes sopro
que coisa estranha é esta das pessoas estarem sempre presas aos blocos da vida sopro-sopro-sopro eu ando e penso que as pessoas são só da minha cabeça sopro é murmúrio mais ou menos isso sopro se eu resolver mudar a minha cabeça as pessoas vão mudar também sopro e eu vou ser aquela outra-eu que esbarrou em mim enquanto eu caminhava no super-mercado procurando o iogurte perfeito para o dia de hoje sopro parece uma coisa meio egocêntrica dizer que eu me encontro por aí nas outras pessoas sopro mas a verdade é que as coisas são egocêntricas sopro e alguém consegue pensar no outro sem se colocar no lugar dele cactos numa dessas somos todos a mesma pessoa em fases da vida diferentes sopro
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