20120326

sobre desdém

me sento adiante da fina furiosa batina de seda de soda de foda não aguentar seguidas pulsantes piscantes plumantes são tuas mágoas mentiras fuligens focinhos ratinhos de corda de sorte de corte daquelas veias de plasma casca de jabuti siri saci que inveja todo o lado que não anda que não pausa que não chama que não pão que mão que manha envolta de pus de mousse de luz perdida nas águas de célula em célula de pele em parada de chão de só de choro de tudo que dá na mesma lesma resma flácida ácida esmiuçada em planta em pranto em bílis carnais chacais vidão de nada cumprimento em melodia parada

20120325

nada vale a pele
até que a mordida seja passada adiante murmúrio nada restará ao desgaste provocado pela ventania que murmúrio simultaneamente aos pensamentos arredondados dos solstícios murmúrio aborrece as redundâncias gramaticais cavalgar atinge-as de modo que todos os pássaros avoados murmúrio assim como os gatos que adormecem com convicção sobre os parapeitos murmúrio silenciam por meses a fio murmúrio a plano e a volume sopro queridos salamaleques dos meios-dias murmúrio margaridas murmúrio floras e letícias cavalgar todos convocados a esclarecer os fatos que não os fazem abrir os olhos murmúrio de tanto que acontece por baixo das pálpebras cavalgar oceanos transbordam pequenas coisas que não suas águas murmúrio humanos falam alguns lírios que não palavras murmúrio gatos andam em círculos que nem cachorros que apertam os olhos com força murmúrio vírgulas vivem juntas para se fazer de reticências murmúrio joões-de-barro sentam nas janelas murmúrio fabricantes de algodão murmúrio de pão sírio ou de ilustrações ilustres estupendas palpitantes translúcidas faiscantes pelúcias ou plastificantes são gratos pela sequência de chuvas sopro vento-chuva-vento-chuva sopro como ponto-e-vírgula cavalgar vírgula-vírgula-vírgula; ou gárgula cavalgar gárgula-gárgula-gárgula sopro
novelas murmúrio saladas e jornais de papel murmúrio ando meio cheia de tudo murmúrio seja barata murmúrio batata ou revista murmúrio pilha de livro ou prato de comida murmúrio ando meio vazia de tudo murmúrio tentando encher com chuva e suco de chuvisco sopro
eu vou aprendendo que o tempo é uma coisa louca mesmo sopro depois que vi o homem vendo sua própria morte enquanto menino pensei em duas coisas cavalgar 1quando eu encontro pessoas na rua murmúrio pessoas desconhecidas murmúrio uma delas pode ser eu mais velha ou eu mais nova murmúrio ou as duas coisas murmúrio ou várias delas murmúrio ou ainda eu de outras maneiras por viver em épocas culturalmente e de espíritos distantes 2uma hora ou outra pode ser possível eu pegar um caminho para onde nunca fui cactos e então não me encontrar na rua ou em outros lugares em outras épocas e conhecer pessoas que nunca conheci e me apaixonar por isso de estar sozinha e longe até de mim mesma cactos

que coisa estranha é esta das pessoas estarem sempre presas aos blocos da vida sopro-sopro-sopro eu ando e penso que as pessoas são só da minha cabeça sopro é murmúrio mais ou menos isso sopro se eu resolver mudar a minha cabeça as pessoas vão mudar também sopro e eu vou ser aquela outra-eu que esbarrou em mim enquanto eu caminhava no super-mercado procurando o iogurte perfeito para o dia de hoje sopro parece uma coisa meio egocêntrica dizer que eu me encontro por aí nas outras pessoas sopro mas a verdade é que as coisas são egocêntricas sopro e alguém consegue pensar no outro sem se colocar no lugar dele cactos numa dessas somos todos a mesma pessoa em fases da vida diferentes sopro

20120229

figura de
lamúria
fagulha
bissetriz
da perdição

olhar adiante

passante
passado
plissado
prismado
polonês
sentimento nítido,
movimento cínico, pálido,
bílico sentimento

de noz, de coz, de volta
a anos luz
de esquecimento fino
clínico, pífio,
racional e ruidoso

porcaria de sentimento

sem nexo conecto

meu olhar
com tua bolsa de ar
e respiro

loucura teatral - abismo

batizado de cardeais como se fosse loucura de ventríloco - pulsação com seu louco ventre - entre raios respiro levezas
respiro e lamúrias incógnitas - abismo - suspeitíssima aurora boreal de longa data - suspiro - nem que fosse capaz nem que parasse no tempo abismo do meu estômago cuido eu abismo ou respiro triplo

aqui estava uma daquelas

em lírios, fagulhas, borbulhas
em poucas
porém desastrosas,
em bocas, em aves, em rosas,
sorte não ser
uma daquelas - pulsação
daquelas - pulsação, sabe - abismo
qualquer
uma daquelas entre rios,
entre rins,
riachos e deixas - pulsação
entre nós,
entre goiabeiras de delírios
e neve e quase tudo
daquelas - abismo
ser abismal me deixa - pulsação
mais ou menos
menos ou mais - pulsação
como ser
como aquilo ou aquelas daquela
abismo
tudo passa





até a vida

20120131

Se o mundo acabar quando eu estiver dormindo,
fico pra sempre presa no meu sonho?

E se o mundo acabar quando eu estiver sonhando
com o próprio fim do mundo, anula fim com fim
e eu fico pra sempre num mundo sem fim?
AS PALAVRAS ME PALAVRAM.

20120121

quase-vômito

não sou lá muito de polêmica helênica barbárica ou qualquer afronta às quase bandeiras ou qualquer bandeira às quase afrontas, mas tenho ódio elefântico de preconceito sem sentido de gente das cavernas cibernéticas das badernas noturnas diurnas viróticas das bobagens de critérios idiotizáveis insuportáveis inaceitáveis em naves em níveis quaisquer que forem quaisquer que vivam quaisquer que queiram ser presentes ausentes ou outra coisa bendita maldita finita restrita ou cabrita erudita. não me interessam pessoas inoportunas parentes serpentes e vertentes cujo expoente crente de sabedoria avisa náuseas cerebélicas sérias de asco noturno a longa distância. sem mais, menos sono sino tino ou regalia frenética involuntária patética de palavras lúgubres insalubre cuspe das duas horas.

20120114

Novelas, saladas e jornais de papel, ando meio cheia de tudo, seja barata, batata ou revista, pilha de livro ou prato de comida, ando meio vazia de tudo, tentando encher com chuva e suco de chuvisco.

20120103

até que a mordida seja passada adiante, nada restará ao desgaste provocado pela ventania que, simultaneamente aos pensamentos arredondados dos solstícios, aborrece as redundâncias gramaticais: atinge-as de modo que todos os pássaros avoados, assim como os gatos que adormecem com convicção sobre os parapeitos, silenciam por meses a fio, a plano e a volume. queridos salamaleques dos meios-dias, margaridas, floras e letícias: todos convocados a esclarecer os fatos que não os fazem abrir os olhos, de tanto que acontece por baixo das pálpebras: oceanos transbordam pequenas coisas que não suas águas, humanos falam alguns lírios que não palavras, gatos andam em círculos que nem cachorros que apertam os olhos com força, vírgulas vivem juntas para se fazer de reticências, joões-de-barro sentam nas janelas, fabricantes de algodão, de pão sírio ou de ilustrações ilustres estupendas palpitantes translúcidas faiscantes pelúcias ou plastificantes são gratos pela sequência de chuvas. vento-chuva-vento-chuva. como ponto-e-vírgula: vírgula-vírgula-vírgula; ou gárgula: gárgula-gárgula-gárgula.