20090926
20090923
provolone na melancia
faço cócegas em mim mesma pra ver se passo essa cólica da barriga e espirro. qualquer tomada a mais é vista como remetente de respiração ou suspiro. mover os olhos pra meia azul é como comer açúcar de colher ou uva passa. piscar e dormir sem querer pra ver se acordo ano que vem é mais que massa. sei muito bem que felicidade dá é em natureza morta. e a colheita é lá pela meia-noite numa ceia com mousse e meia torta. guloseimas dançantes, parafusos passantes. é um absurdo melhor tarde do que antes
20090910
PRÓXIMO PASSEIO PRIMAVÉRICO
1 convidar alguém em dia de domingo, não necessariamente no domingo
2 vestir uma roupa confortável e um sapato de plástico
3 empacotar algumas frutas ou cenouras já prontas para comer
4 passar protetor solar se fizer sol ou alta claridade
5 lembrar do guarda-chuva se estiver nublado, chuviscando ou chovendo
6 levar o mp3 player com várias músicas
7 ir até o ponto de ônibus das redondezas que passar mais ônibus
8 pegar o primeiro ônibus que passar
9 ligar o mp3 player no shuffle
10 ouvir seis músicas (para florianópolis, seis músicas está de bom tamanho)
11 puxar a cordinha e saltar no próximo ponto
12 passear a pé com sua companhia até o conforto ou o dia acabar
20090909
em pleno outono 77 ou em fim de inverno 09
a nuvem me falou-sem-falar desde o início:
"eu gosto de você"
foi quando li o que dormia dentro dela comigo:
"eu gosto de você também"
20090906
20090829
A METADE DE UM POUCO É MENOS AINDA
[ ]
a metade de dentro de um pouco de sal
é menos áspero ainda.
a metade de fora de um pouco de gel
é menos quente ainda.
o dobro de muito barulho
é mais enxaqueca ainda.
o dobro de muita luz
é mais ainda que a morte.
[
AMOR DEMAIS
supera um ou dois
mente baixinho, depois
não foi nada, nem lembra mais
sorri de outros carnavais
ele parecia ter tudo e ela nada
mas quando voltar a sorrir também vai ser lembrada
com carinho e com saudade
de tanto jeitos, de tantas falas
tanto amor em poucas malas
eu quero dizer algumas coisas
quanto a nós, quanto ao que somos agora
ninguém podia adivinhar
que nada ia sumir como o previsto
nos papéis que guardei nas gavetinhas
e amarrei com fitinhas finas
o que passamos dentro da névoa
com tanto vício
juro que não vou me entregar
a viver na saudade
só porque queria de novo
para lembrar ainda mais
como era sentir amor demais
daqueles que são mesmo de verdade
mente baixinho, depois
não foi nada, nem lembra mais
sorri de outros carnavais
ele parecia ter tudo e ela nada
mas quando voltar a sorrir também vai ser lembrada
com carinho e com saudade
de tanto jeitos, de tantas falas
tanto amor em poucas malas
eu quero dizer algumas coisas
quanto a nós, quanto ao que somos agora
ninguém podia adivinhar
que nada ia sumir como o previsto
nos papéis que guardei nas gavetinhas
e amarrei com fitinhas finas
o que passamos dentro da névoa
com tanto vício
juro que não vou me entregar
a viver na saudade
só porque queria de novo
para lembrar ainda mais
como era sentir amor demais
daqueles que são mesmo de verdade
20090827
20090826
portas e porcas
ladainha de tristeza, aspereza pesada, pensamento granulado, gelado e ainda virado de costas pra mim!
é que eu desconfio de tontura sem leveza...
- é burra como uma porta!
- come feito uma porca!
portarias são leves, são vazias.
porcarias são gordas, são azias.
eu não tenho saúde, é saudade
eu sinto saudade de você, mas eu não tenho, ainda bem.
eu sinto saudade de você, mas eu não tenho ainda.
eu sinto saudade de você, mas eu não tenho.
eu sinto saudade de você, mas eu não.
eu sinto saudade de você.
eu sinto saúde.
eu sim.
20090824
é assim pelo menos um quinto do dia
quando eu passo muito tempo sem pensar, minha cabeça flutua num marasmo todo pasmo e arriscado de riscar.
me vem um voo: _____________.
um cheio de moleza: ~~~~~~~.
um cheio tão miúdo, densificado num embrulho nada nu, todo pardo e marcado. um prazer enorme de moça sardinha.
20090810
não necessariamente nessa ordem
p-arte 1: nem todo poeta pateta escreve poéticas patéticas, eles mais discutem com os poemas do que os escrevem. os descrevem. o poema na verdade nem existe, o que existe é o que deveria ser o poema
p-orte 2: fazer concreto o que não se permite, física e sentimentalmente falando. pausar o tempo em que isso não era (no caso, não "é") exprimível em formas
p-orta 3: informar, finalmente, densamente, ente
p-ente 4: informalmente
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