20080819

frouxotudo

tudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxotudo é tão frouxo

virar a página: blupt!

É só hoje que eu penso:

nada é tão difícil assim como diz a poesia
somos fáceis e burros por tentar complicar

20080818

num pedacinho de papel "talvez um dia entendas" com uma flor ou folha qualquer do meio da rua no meio da noite

e saio correndo

descobri o problema:

as pessoas têm que mudar tudo isso
acrescentar, então:
coisas extraordinárias
corridas malucas
finais de efeito

(eu só quero um buquê de brócolis roxo ou de salsinha)

toda vida espero surpresas das coisas
(ou "em todas as coisas, espero surpresas da vida"),
e por isso que eu as tenho
(AS SURPRESAS)
a maior surpresa de todas é acontecerem aquelas coisas que não se esperam:

sempre acontece coisa nenhuma

alguns minutos das meninas

Ao perceber nossa presença, uma das meninas (sendo duas na mesa com os, provavelmente, pais) olha para nós, duas vezes seguidas.

_ Pai! Paaaai! Paaaaaaaaai! - exclama a outra menina

A menina número 1 sai de sua cadeira, caminha até a outra cadeira e volta até a mesma que estava sentada.

A menina número 2 que estava sentada se levanta, empurra sua cadeira para a direita e volta a sentar-se mais próximo da menina número 1. Já era hora e ela começa a comer seu sanduíche. Algumas mastigadas depois, a menina solta o sanduíche e brinca com o brinde-Hello-Kittie. Volta, entretanto, a comer e observa atentamente a Mariana Milis (que estava observando-a primeiramente). Em seguida, vira-se para trás para observar rapidamente um homem sentado. Balança a cadeira para frente e para trás. A menina número 2 cai.

A menina número 1, provável irmã, balança sua Hello Kittie em frente ao olhar da menina número 2. Essa, quando caiu, quase-chorou por meio minuto esperando seu provável pai alertar-lhe que nada de tão ruim havia-lhe acontecido.

_ Pronto, pronto! - disse o pai dando-lhe leves tapas nas costas

As duas meninas, logo que passara a sensação da queda da menina número 2, brincam juntas com a mesma Hello Kittie. A menina número 1 (com suspeitos cinco ou seis anos de idade) volta para sua cadeira. De repente!... a menina número 2 (com suspeitos quatro ou cinco anos de idade), concentradíssima, faz-de-conta ser um cavalo.

Achei um desfecho interessante.

alguns passados foram


só de sonhos
e coisas nubladas



e quando de "passados" falo, quero dizer exatamente que as coisas passadas passam, e que são coisas soltas e juntas ao mesmo tempo, porém independem-se

e também, sobre falar "só", digo a princípio que "só falo", como se fosse uma única coisa, todavia me sobe a cabeça a sílaba só como "estou só"/"estou só de sonhos"

20080817

vida patética

não nos permitimos ser patetas dignos,
quem sabe numa próxima patetice:
batatas com bananas caramelizadas

20080811

AS COISAS SÃO

AS COISAS NÃO PRECISAM DE TI
ELAS SÃO E PRONTO!

AS COISAS SÃO ASSIM: ELAS NÃO PRECISAM
ELAS SÃO E PRONTO!

ELAS SÃO E PRONTO!
........SÃO E PRONTO
........SÃO E PRONTO
........SÃO E PRONTO
........SÃO E PRONTO
........SÃO E PRONTO
........SÃO E PRONTO

UM QUADRADO É UM QUADRADO
...............E PRONTO

UM QUADRADO NÃO PRECISA DE TI!

latejadas

Latejada1: com a tua asinha na mão, como se ela fosse tu: no meu rosto me fazendo respirar: inspirar devagar e expirar mais devagar ainda

Latejada2: quero ouvir a voz que mais me faz fazer inspirar e expirar devagar

Latejada3: como se tudo fosse colorido (e não que não seja): o abraço que vem tão azul, tão macio, tão confortante

Latejada4: a maior segurança de todas: pai, amigo, irmão e calmaria

Latejada5: alegria

Latejada6: distante e querida

Latejada7: novidade indisponível: confusão passageira

Latejdas89: inviáveis por algum tempo

O mundo tá no fiMeu olho tá úmido.

meu olho é úmido
por isso meu olhar é úmido
e eu vejo tudo molhado
molhado molhado

meu olho é úmido
mas não escorrega
quando eu o empurro
ele nem cai pra dentro

um dia desses ele quase caiu dentro da minha cabeça, mas como ele não vale nada dentro da minha cabeça, ele não caiu, mesmo que cair não custava nada, nem uma viagem pra qualquer lugar perto do fim do mundo

azul glugluglgulgulg

eu quero que as amantes palavras me deixem
eu quero um tempo de toda a minha cabeça

eu quero ouvir meu nada no fim da tarde
eu quero não pensar em fingir que parei de pensar

eu quero parar
eu quero parar
eu quero parar
respirar, então

respirar tão azul
tão azuuuuul
eu quero falar glugluglu
eu quero gritar glugluglu

não serve pra nada
deixar de gritar
deixar de falar
e não deixar de pensar

gluglugluglulgulgugluglgulgulgulgulguglguluglggulgulguglugluglgg

20080809

prontoquasefalei

conversar é bom
emagrecer falas
digerir olhares
desviar parágrafos como se fossem saltos duma montanha à outra

um bate-volta de desassossegos e de sossegos
cair e continuar de olho aberto
dar de cara numa parede invisível
ter dor de cabeça e vomitar
banalizar as coisas patéticas como patetas dignos
(dignos de olhares, de contra-falas e de suspiros pesados e densos)

20080808

gel tóxico

(ser tóxico é não parecer ser tóxico)





-TÓXICO

este gel está
de-mais"
me parece................... quase-tóxico

e já é a minha vez((((!

de(ME)e n t o x i c a r também
porque o gel também gruda em mim




tranco a respiração
arroxo
escaldo a pele
rastejo
viro brotoeja




........... e a arma((((?
está sem manual

20080807

um pulo, dois anos, mudanças de rios, nuvens e névoas

a chuva é a nuvem envelhecida
a nuvem é o começo da chuva
a chuva é o alimento do rio
o rio é o fim da nuvem
a névoa é o desmaio da água


a água é gel de nuvem e de névoa

20080806

algumas coisas precisam mudar por dentro, por fome, por céus

hoje foi um dia horrível dentro do meu corpo
: os meus pés estavam molhados e desconfortáveis com todo o cuidado dos meus olhos chuvosos com meu tênis branco
: as minhas mãos estavam tão geladas que pareciam não fazer parte de mim, e roxas e desalongadas
: o meu estômago estava de tristeza e obstáculos sem fim
: as minhas mentiras invadiram até o alto da minha testa, que tinha tanto óleo, tanto
: o meu pescoço era tronco de goiabeira, de saudade
: o meu sonho escorreu outra vez de mim, e com ele todas coisas dele, que são muito mais que minha vida, nelas só falta eu
: o papo foi ficando insuportável
: eu fui perdendo meu corpo dentro da minha cabeça e quando vi, olhei pra trás, pros lados e pra cima, eu não existia mais
: eu sumi de mim e me insuportei mais uma vez

outras vidas

apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego das coisas da vida que são pra sempre mesmo que eu nem lembre delas e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego apego e não desapego