20070914
Crua,
não sei mais o que é ser alguém. Não trocaria minha sexta pra ficar com uma enxaqueca. Por ela não ser nada: ser crua. Deixar-me nua a vomitar insônia.
_Voltaste assim, tão de repente, tão sem sentido, que não pude entender mais se tinhas, antes, me perdido de vez.
Certamente, nesta loucura toda, nesta janela imunda, só me resta a imensa vontade de estar com as estrelas e não ser mais nada neste mundinho; voltar pra lá, pra não voltar mais pra mim. Ser-me de novo o que era.
Não vale a pena estar entre o gesto nenhum e a dor que nasce e acaba, e sempre assim, com pequenas felicidades.
_Voltaste assim, tão de repente, tão sem sentido, que não pude entender mais se tinhas, antes, me perdido de vez.
Certamente, nesta loucura toda, nesta janela imunda, só me resta a imensa vontade de estar com as estrelas e não ser mais nada neste mundinho; voltar pra lá, pra não voltar mais pra mim. Ser-me de novo o que era.
Não vale a pena estar entre o gesto nenhum e a dor que nasce e acaba, e sempre assim, com pequenas felicidades.
Vou sentar-me comigo, na minha cama, com a minha alma traiçoeira - porque nem a ela inspiro confiança -, fazendo-me carinho durante a noite, frente a sujeirada da vida.
_Como este lixo todo veio parar no meu coração?
Na distância entre minha vida e eu, na minha ausência, só consigo ver-me afogada em um lindo e verde oceano de lágrimas.
_Porque, nessas lacunas, as coisas costumam ser assim: feridas ácidas e imperdoáveis.
Falta-me não pensar que não me sou; mesmo que amarga de tanto - e prazeroso - vômito.
(Mais um soluço e mais um vômito de palavras e angústias.)
_Como este lixo todo veio parar no meu coração?
Na distância entre minha vida e eu, na minha ausência, só consigo ver-me afogada em um lindo e verde oceano de lágrimas.
_Porque, nessas lacunas, as coisas costumam ser assim: feridas ácidas e imperdoáveis.
Falta-me não pensar que não me sou; mesmo que amarga de tanto - e prazeroso - vômito.
(Mais um soluço e mais um vômito de palavras e angústias.)
20070913
E foi isso: tirei o dia para comer morangos.
O dia se fez uma delícia. De mar, de brisa, do meu doce cacau; até os objetos em silêncio faziam-se deliciosos. Teu toque, minha pele, o rosto de quem passa e olha. É uma loucura imensa ser feliz assim; não só o vinho, mas também a uva. Quem me sonha como eu te sonho está no outono, num caminho de folhas secas e flores de tons vermelhos e aveludadas. Caiste na minha vida assim como o vento, porque de ar fizeste meu caminho feliz.
20070911
Pela segunda vez
fico presa numa roupa. A primeira foi menos angustiante que essa última, a de hoje e de nunca mais. Coisa mais ruim não ser livre de um pedaço de pano qua mal te conhece e já toca teu corpo sem querer deixá-lo. E te agarra, te prende, te envolve de maneira a grudar na tua alma. Quero ser livre disso, sensação horrorosa: mexer os dedos esticados e olhar no espelho com a face avermelhada, o calor, a respiração cada vez mais e mais ofegante, como se tivesse correndo voltas e não chegando a lugar algum, subindo um morro gigante, fugindo disso que prende e sufoca.
Deixa eu ser livre, vestido verde! Não te quero mais no meu corpo.
Deixa eu ser livre, vestido verde! Não te quero mais no meu corpo.
20070909
(O)) que eu mais quero aqui é sair daqui.)
O ar pra lá é, de um tanto de muitos que aqui não sobraram restos, mais doce. A boca cheia de ar, cheia de doce, cheia de angústia de não deixar escapar estes desejos de algodão. Doce. Minha janela tem tanto sentimento quanto esta brisa gélida, eu pálida e o céu azul-céu. Diante da minha vista, quase uma lembrança boa daquelas manhãs em que eu acordava, olhava pra baixo, olhava pra cima, pro céu e pro calor das vidas que eu tanto amava, e por minha razão, só amaria à elas. Eu permanecia alguns instantes estática, com os olhos cerrados e a boca a fim de desmaio, pensamentos nulos, ocupados por sensações daquilo que eu chamava de praia. E, equivocadamente, eu me enganava. Estava apenas na vida, na ida pra bem longe.
20070906
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
Bactéria arredondada, ninho de sabiá.
20070904
20070903
tempo
Consigo sentir o cheiro da minha casa, a fumacinha da chaleira embaçando o óculos logo de manhã, café quentinho, geléia de morango, a Mini olhando minha bolacha àgua e sal tão profundamente quanto minha vontade de não acordar mais, quanto a minha vontade de voltar a ser criança e andar de cecisinha rosa pela rua Acre.
20070902
Rascunho.
Exatamente nesta noite, a vontade imensa que me consome pouco a pouco me jogará no chão, expremendo até a última gota de loucura que me resta para sair daqui. E com os olhos violentamente fechados, eu enxergarei muito mais do que tenho observado de mim, nos meus últimos instantes. Seja como for, não sobrará ninguém a quem eu tenha que me desculpar ou dar satisfações. Enchi-me, então, de ar; tanto ar quanto o sufoco de não tê-lo mais. Procuro cansalvelmente voltar para a minha vida, essa já me bastou de agonias e sufocos. Eu quero a minha mãe, tudo porque sou uma caçula gordinha e mimada.
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